Grupo Desportivo Dias Ferreira

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Entrada História do clube
Grupo Desportivo Dias Ferreira - Breve perspectiva histórica
A data de fundação do Grupo Desportivo Dias Ferreira está registada como sendo a de 27/06/79, mas o seu aparecimento no terreno verificou-se muito mais cedo — pouco tempo depois do 25 de Abril de 1974 —, com a extinção da Mocidade Portuguesa e a necessidade verificada nesse período de alterações sociais e de posturas, em ocupar os jovens com actividades mais dignas e salutares. A realização de um torneio de xadrez promovido pela extinta secção escaquística do Leixões Sport Clube, efectivada nas instalações do Café Bilharista, acabou por ser o mote para a junção de vários elementos ligados por laços familiares e que constituíram um núcleo interessado em promover acções com carácter social, desportivo e lúdico, nomeadamente passeios de bicicleta; acampamentos; encontros desportivos de várias modalidades, com incidência natural no futebol e no xadrez.

Por exigências verificadas com espaços e disponibilidades financeiras, o grupo de fundadores — pertencente quase essencialmente à família Dias Ferreira —, optou por federar-se no xadrez como Núcleo Dias Ferreira, tendo participado em várias provas distritais de xadrez e garantido logo no seu primeiro ano de filiação, a subida à primeira divisão distrital. Por exigência da estrutura associativa escaquística portuense, houve necessidade de regularizar no notário a existência do clube (facto que aconteceu em 13/08/80, tendo o núcleo adoptado a denominação pela qual já começava a ser reconhecido no panorama nacional, e à qual o decano dos jornalistas da modalidade, o lisboeta Vasco Santos, chamava carinhosamente de “Escola Dias Ferreira” nos seus artigos nos jornais da capital, devido ao elevado número de jovens que este clube matosinhense colocava a jogar.

O grupo inicial de onze jogadores rapidamente começou a crescer anualmente de número, tendo atingido na época de 1995/96, a quantidade de 222 xadrezistas federados na Federação Portuguesa de Xadrez. Segundo os entendidos, este elevado número de jogadores é prejudicial para a sua evolução, mas o GDDF/Matosinhos é um clube “sui generis” que desafia de forma contínua todas as lógicas, criando campeões com apoios bastante exíguos e em condições paupérrimas de trabalho. Lembramos que este clube funcionou durante dezassete anos na residência do presidente da direcção e seu principal mecenas.

A autarquia matosinhense cedeu recentemente um pequeno espaço no edifício camarário “Joaquim Neves dos Santos”, na Rua Conde Alto Mearim, nº. 385, em Matosinhos, onde todos os interessados podem iniciarem-se na prática das duas modalidades em que o clube está federado (xadrez e futebol de mesa), bem como desenvolverem outras actividades culturais; lúdicas; desportivas e de ensino.

Nesta vertente de outras actividades, é dada especial atenção ao acompanhamento de jovens com vários problemas relacionados com as novas tendências viciantes. Dado o ambiente familiar que caracteriza a nossa existência, existe uma preocupação constante com os estudos e a educação das pessoas, bem como com as situações sociais que cada membro transporta consigo. É relevante o facto de alguns membros darem assiduamente explicações gratuitas aos mais jovens, aproveitando os períodos de permanência no espaço do clube para incutir um melhor espírito de camaradagem.

O Grupo Desportivo Dias Ferreira dedica-se à prática do Xadrez e do Futebol de Mesa (subbuteo), tendo conquistado em toda a sua existência, mais de mil títulos, em campeonatos mundiais; campeonatos europeus; campeonatos nacionais; campeonatos distritais e “opens” nacionais e internacionais. Quase todos os fins-de-semana participamos em provas de xadrez, denominadas de semi-rápidas, obtendo primeiros lugares individuais e colectivos e prémios de escalões etários.

O primeiro jogo internacional de um jogador do clube ocorreu logo em 1980, mas seria necessário esperar pelo ano de 1984 para ter os seus primeiros representantes no estrangeiro. Estas circunstâncias agradáveis aconteceram nas Olimpíadas de Thessaloniki e no “match” de selecções femininas em Alicante, entre Espanha e Portugal.

A partir de 1984, as internacionalizações aconteceram em catadupa, sempre em crescendo, sendo o ano de 1996, o melhor em termos de deslocações. Nesse miraculoso ano para o clube, 64 jogadores estiveram em vinte países (desde Yerevan, capital da Arménia até à distante Rimavská Sobota, cidade eslovaca a poucos quilómetros da Ucrânia), disputando nesse ano mais de quinhentas partidas internacionais.

Os jogadores do Grupo Desportivo Dias Ferreira já se deslocaram a todos os continentes para participar em olimpíadas; campeonatos mundiais; campeonatos europeus e torneios abertos internacionais. Em todas estas viagens, quase sempre foram portadores de lembranças de Matosinhos e de Portugal (vinho do Porto; doces e produtos regionais; louças; cristais; prospectos turísticos; bordados; postais ilustrados; livros; variadas colecções; etc.) tornando-se em importantes divulgadores do concelho matosinhense e do turismo e cultura portuguesa.

Desde 1984 que as comitivas portuguesas às Olimpíadas de Xadrez (organizadas em sistema bienal nos anos pares), constituídas por 12 elementos, têm no seu elenco, um; dois ou três jogadores do G. D. Dias Ferreira. Desde que foi criada a secção de Futebol de Mesa no clube (em meados da década de oitenta), quase sempre os nossos jogadores trouxeram lugares no pódio em confrontos mundiais.

Quase todas as nacionalidades existentes no globo terrestre jogaram já com praticantes matosinhenses, quando não em termos directos e físicos, pelo menos numa outra vertente muito utilizada nos escaques, ou seja, no xadrez por correspondência, onde também vários dos nossos membros têm adquirido enorme notoriedade.

O Grupo Desportivo Dias Ferreira orgulha-se de participar em quase todas as provas que são organizadas em Portugal, levando representações que conquistam, amiúde das vezes, os prémios principais e levando longe o nome de Matosinhos, como “terra de horizonte e mar”.

Num período social e económico tão conturbado, este clube tenta prestar também apoio em vários sectores do quotidiano dos seus jogadores, dirimindo questões familiares; encaminhando os jovens nas opções de ensino; fazendo conviver pessoas de escalões etários díspares e de meios sociais diferentes; ajudando os jovens com as dificuldades inerentes aos meios escolares; de saúde e dos novos vícios da juventude. Voltamos a mencionar este pormenor de permanente assistência que fazemos, até porque várias famílias procuram este clube, após recomendação efectuada por técnicos do Hospital Magalhães Lemos.

Este ambiente extremamente familiar é um factor importante e aglutinador para que muitos jogadores se mantenham ligados ao clube, independentemente dos períodos cíclicos em que as agremiações nacionais e estrangeiras, mais endinheiradas vêm buscar campeões a Matosinhos.

Seria demasiado fastidioso enumerar os títulos ganhos pelo clube e pelos seus jogadores, e corria-se o natural e óbvio risco de esquecer um número bastante significativo de prémios. Meramente por curiosidade, menciona-se o título europeu de clubes ganho em Edinburgh (Escócia) no ano de 1997 e o facto de ter sido o clube que ganhou mais títulos nacionais xadrezísticos para jovens no ano de 1996, apesar das câmaras municipais da área da grande Lisboa terem nesse período, disponibilizado mais de trezentos mil contos de apoio a Programas de Divulgação de Xadrez.

Muito embora as várias e cíclicas crises monetárias estejam a provocar danos profundos na organização e programação dos vários eventos desportivos, estamos a tentar controlar as dificuldades com a habitual eficácia desportiva dos nossos membros. No ano de 2000, para além das inúmeras provas nacionais, o clube teve 83 elementos a jogar em onze deslocações ao estrangeiro (Mons / Bélgica 5; Sucy-en-Brie / França 9; Charleroi / Bélgica 4; Liechifield / Inglaterra 4; Leverkusen / Alemanha 2; Corbera de Llobregat / Espanha 5; Mattersburg / Áustria 1; Padron / Espanha 6; Vienna / Áustria 12; Pontevedra / Espanha 30 e Bologna / Itália 5, todas estas deslocações com peripécias invulgares para contar aos descendentes num futuro próximo. Recordamos aqui casos como o roubo em Paris de uma carrinha alugada “Peugeot”; o reboque do célebre “Jetta” (na altura conduzido pelo Vasco Guimarães) avariado em Charleroi e a épica viagem em carrinha (conduzida pelo Paulo Sobral) à Península da Jutlândia para competir no Mundial de Futebol de Mesa.

Mesmo assim, com inúmeros azares a perseguirem o clube, os seus jogadores têm obtido vitórias em todas as competições internacionais, tendo inclusive conseguido no “Grand Prix” de Inglaterra (no ano de 2000), o pleno nas três provas em que levava elementos para participar (veteranos; seniores e equipas). Outro facto digno e importante a assinalar no ano de 2000, é a participação do clube no Campeonato Nacional da I Divisão, defrontando formações como a do Boavista Futebol Clube e do Sporting Clube de Portugal, lutando por manter-se no lote das dez melhores equipas nacionais de xadrez, num universo superior a trezentas agremiações, muitas delas apoiadas seriamente pelas edilidades.

O clube adoptou recentemente a sigla pela qual é reconhecido na “Meca” do futebol de mesa, que é o “Grand Prix” de Sucy-en-Brie, de GDDF/Matosinhos, cumprindo a obrigação moral e ética de ostentar no seu nome, uma homenagem ao lugar onde tem o seu movimento e campo de acção e recrutamento de jogadores. No entanto, o clube tem jogadores de várias proveniências e que o ajudam desinteressadamente a alcançar o pódio nas inúmeras solicitações internacionais. Pelo GDDF/Matosinhos já passaram inúmeras nacionalidades, nomeadamente ingleses; franceses; egípcios; russos; moçambicanos e chineses. Mas o agradecimento mais sincero pelas suas valorosas prestações no clube, vai para o campeão austríaco de futebol de mesa Robert Lenz e para os mestres FIDE romenos, Marius Ceteras e Pavel Serdean.

Em 2000, o clube candidatou-se como habitualmente ao Programa de Férias Desportivas e Ocupação dos Tempos Livres, promovido pela Câmara Municipal de Matosinhos. Desde 1989 que o clube tem assinado protocolos de actividades de Verão com a autarquia matosinhense, na área xadrezística. No ano atrás referido, o clube passou de várias acções de xadrez para quatro intervenções imensamente diversificadas. A intenção primordial do grupo foi a interligação entre as várias comunidades e o intercâmbio de ideias e saberes. Neste sentido, a autarquia matosinhense resolveu comparticipar em quatro actividades organizadas pelo GDDF/Matosinhos, a saber:

“ Xadrez Total “
“ Jogos Orientais – Xadrez Chinês / Xiang Qi “
“ Curso de Iniciação aos Bordados Goblan e Tapetes de Esmirna “
“ Jogos de Estratégia para Computadores “


Para este vasto programa, tivemos o apoio da Fundação Belmiro de Azevedo que emprestou cinco computadores usados para complementar a acção de Jogos de Estratégia para Computadores. Esta importante ajuda vinda do Grupo Sonae, prende-se com uma ligação de âmbito desportivo que o Grupo Desportivo Dias Ferreira tem vindo a dar, simultaneamente com a Inatel, à Quinzena Cultural e Desportiva da Sonae. Por parte da empresa J.P. Sá Couto (Tsunami) tivemos a oferta de três computadores.

Todas estas actividades de Verão comparticipadas pela Câmara Municipal de Matosinhos tiveram uma frequência muito acima do normal, muito superior a qualquer estimativa mais optimista. Nos três meses de Julho; Agosto e Setembro passaram diariamente pelo clube, para além dos habituais jogadores filiados, mais cerca de sessenta jovens. A iniciação ao Curso de Bordados e Tapeçaria, ministrado pela mestra D. Luz Maria Alves trouxe também a frequência de senhoras japonesas que estão temporariamente em Portugal (os maridos estão ligados ao grupo empresarial Salvador Caetano), permitindo ainda mais concretizar-se o intuito elegido neste período pelo clube de abrir-se ao intercâmbio de conhecimentos e culturas. O Curso de Bordados e de Tapeçaria continuou a realizar-se durante várias semanas, muito para além do período aprazado, com a frequência de portuguesas, brasileiras e japonesas.

Para a próxima época de 2008/09, agora iniciada, o clube volta a eleger quatro itens como prioritários para o prosseguimento das suas múltiplas actividades. Uma sede social própria; a doação ou obtenção de duas carrinhas; equipamento desportivo para as equipas de Futebol de Mesa e um constante apoio monetário por parte da autarquia, provavelmente através da assinatura de um protocolo de ensino de xadrez nas escolas do concelho.

No campo desportivo, o clube irá tentar permanecer na I Divisão Nacional (equipa principal) e na II Divisão Nacional (formação secundária). Terá também, como habitualmente, o máximo de equipas permitidas na III Divisão Nacional. Jogará todas as competições colectivas distritais e nacionais que ocorram, honrando com a sua presença, a labuta árdua de quem ainda consegue promover competições neste País. No capítulo individual, iremos apostar mais na obtenção de “ranking” FIDE por parte dos nossos xadrezistas e lutar por mais títulos nacionais.

(texto adaptado de um currículo do clube elaborado para a Câmara Municipal de Matosinhos no ano de 2000, e que, posteriormente foi utilizado num livro sobre a história das colectividades desportivas no concelho matosinhense).